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quarta-feira, 4 de maio de 2011

YES WE KILL

Charge publicada no jornal Aqui, de Belo Horizonte, MG
"Eis que novamente vemos cenas de comemoração mórbida, como as que vimos há quase dez anos, quando muitos radicais foram filmados no Oriente Médio, comemorando o atentado de 11 de setembro. Agora, a história se repete do lado de cá, nas ruas da cidade onde um pobre gorila gigante morreu estatelado na calçada depois de cair do Empire State, mostrando que há mais semelhanças entre os dois povos em guerra do que entre os nomes de seus protagonistas.

Depois de um longo tempo dando um verdadeiro balé no serviço de inteligência americano, seja se esgueirando em cavernas e fortalezas ou se disfarçando de cacto no deserto, o terrorista barbado com cara de anêmico mais procurado do mundo sucumbiu a um ataque brutal do capitão Stallone e sua tropa de durões.

A morte do líder terrorista foi anunciada com ares triunfais por Obama e recebida pelo seu povo com euforia. Obama fica aliviado, porque finalmente algo marcante aconteceu em seu governo inexpressivo e a sua reeleição fica quase certa com esse episódio, uma vez que o povo norte-americano adora um simbolismo. Esse, por sua vez, com aquele sentimento de vingança consumada, comemora a suposta morte de Osama nas ruas.

Porque, diz o Obama, que o Osama morreu. Um tiro certeiro no cérebro da Al Qaeda.
E que antes de morrer, vergonhosamente usou como escudo humano, uma de suas várias mulheres: obstáculo facilmente abatido pela tropa americana - já que esse não era lá nenhum escudo de última geração, como o do super soldado Steve Rogers, o famoso Capitão América. E que envolveram o corpo do terrorista num lençol branco e, depois de amarrarem um peso a ele (que bem poderia ser o Georginho Bush) jogaram-no ao mar, onde ficará desaparecido - como sempre esteve, aliás - até o fim dos tempos.
Peraê... Essa história tem algo muito errado... Pois não é isso que aprendemos sobre os norte-americanos nos longas de ação.

Não deveriam ter invadido a fortaleza numa complexa missão, enfrentado vilões perigosos armados até os turbantes e desativado uma bomba amarrada no corpo escultural da Naomi Watts, tomada como refém de última hora pelos terroristas? Não deveria ter havido uma previsível lutinha final de igual pra igual entre o Bruce Willis e o vilão principal? Numa última e covarde tentativa de saída do bandido, caso ele usasse como escudo humano uma de suas próprias mulheres, não deveria o herói ter detido o criminoso e feito de tudo pra deixá-la escapar com vida?

E cadê a foto do corpo? Do Saddam, tivemos certeza. Cadê a filmagem do tal cadáver envolto numa mortalha sendo lançado ao mar? E se o Islã resolver desmentir a morte do Bin Bin com o intuito de desacreditar a ação do Tio Sam diante do mundo? Como o Obama poderá provar o contrário? Osama, de morto, passará a mito? Até que ponto o Serviço de Inteligência Americana é estúpido dessa forma?

Essas questões até fariam algum sentido para nós, brasileiros, caso a Fátima Bernardes não tivesse feito aquele quase imperceptível menear de cabeça, acenado com a sobrancelha direita e apertado os lábios, o que quer dizer que devemos - como sempre fizemos - aceitar tudo o que nos dizem, sem muitos questionamentos.

Só sabemos que as únicas coisas que nos soaram realmente familiares e dignas de um Oscar nesse longo e equivocado filme foram as colossais e sensacionais explosões nas torres gêmeas - essas sim, dignas daquelas produções blockbusteres de catástrofes, recheadas de pirotecnias e efeitos especiais.
Talvez o maior problema seja esse. Quando os efeitos especiais parecem mais convincentes do que o roteiro e os atores, uma coisa é certa: tem algo de errado com o filme."

Fonte: Quinho

terça-feira, 3 de maio de 2011

Não há razão para comemorar um assassinato

A primeira reação de grande parte da população americana diante da notícia da morte de Osama Bin Laden, o rosto mais famoso do terrorismo internacional, foi sair às ruas para comemorar a derrota de seu inimigo. No entanto, a operação contra o terrorista saudita foi um assassinato sumário e como tal não deveria ser comemorado, de acordo com a análise da historiadora Maria Aparecida de Aquino.

"Há meses vem sendo preparada, junto com o governo do Paquistão, toda uma operação para chegar à casa de Osama Bin Laden. A ordem que se tinha era metralhar, a ordem era atirar. Fica difícil pensar em motivo para comemoração", pondera Aquino, professora em História Social da Universidade de São Paulo (USP).

A pesquisadora também questiona os precendentes abertos pela ação americana. "Isso não significa defender o que aconteceu em 11 de setembro de 2001, que foi um ato terrível e ofendeu a humanidade. Não significa negar o direito da população americana de buscar os culpados. Mas defender a forma como isso foi feito será dar aos Estados Unidos a possibilidade de amanhã entrar em qualquer uma de nossas casas e dizer: ‘olha, imaginei que aqui houvesse um terrorista e andei metralhando’. É muito grave o que aconteceu".

UOL Notícias: Os americanos reagiram à notícia da morte de Bin Laden com festa e era possível ver cenas de comemoração e euforia nas ruas. Existe razão para comemorar? Essa euforia é justificável?

Maria Aparecida Aquino: Não. Se a gente admitir que existe razão para comemorações neste momento, então estaríamos admitindo que existe razão para comemorar um assassinato. Uma coisa que normalmente não se comenta é que os Estados Unidos gostam de jogar na cara de todos os outros países que eles são os guardiões da democracia do mundo, e sempre interferem nos outros países para assegurar a democracia. Entretanto, o que eles fizeram nesse caso é simplesmente um assassinato. Se houve um crime e você está atrás de uma pessoa que é teoricamente uma das responsáveis por esse crime, você tem o direito de pegar essa pessoa e submetê-la a um julgamento. Mas o que aconteceu foi simplesmente um assassinato.
Há meses vem sendo preparada, junto com o governo do Paquistão, toda uma operação para chegar à casa de Osama Bin Laden. A ordem que se tinha era metralhar, a ordem era atirar. Fica difícil pensar em motivo para comemoração.
O que podemos observar é que toda a euforia inicial nos Estados Unidos já baixou um pouco, porque eles têm um temor muito grande – e devem mesmo; pensar que a Al Qaeda se restringe a um homem só, Osama bin Laden, é uma tolice. A Al Qaeda é uma imensa organização. E é muito possível que haja retaliações. Então, em circunstância alguma teríamos motivos para comemorar, mesmo pertencendo à população americana, mesmo sendo o presidente dos Estados Unidos.
Se pessoas como nós, pessoas comuns, simplesmente coadunássemos com a ideia de comemoração, estaríamos coadunando contra todos os princípios que os próprios Estados Unidos dizem defender com tanta força.

UOL Notícias: Então é possível imaginar que os Estados Unidos poderiam ter feito uma captura sem recorrer a assassinato?
Aquino: Lógico. Eles tinham noção da localização. Planejaram a ação muito cuidadosamente. Chegaram até a casa e uma vez lá não havia condições de reação. Eles simplesmente metralharam quem estava pela frente.

UOL Notícias: Com relação ao corpo, como a senhora interpreta essa decisão dos Estados Unidos jogá-lo ao mar?
Aquino: A notícia de que eles teriam jogado o corpo ao mar é mais grave ainda, porque você não só submete o inimigo a um assassinato, como você também impede o ritual da morte.
Mesmo que não haja uma retaliação imediata, em breve essa ficha acaba caindo, mesmo entre a população, de que nem mesmo o direito à morte foi dado. Um dos maiores pilares da democracia é o habeas corpus, que em uma tradução muito simples do latim quer dizer: que se tenha direito ao corpo. Então foi negado um elemento característico do estado de Direito.
Os americanos têm direito de estar muito zangados com o que aconteceu no 11 de setembro? Sim. Têm direito de investigar quem seriam os responsáveis? Sim. Mas a forma como se faz isso pode acabar por retirar todos os direitos que nos restam.

UOL Notícias: É possível imaginar que os Estados Unidos enxerguem a morte de Bin Laden como a morte do “mal”?
Aquino: É o que eles defendem. No fundo, eles pretendem impor ao mundo inteiro uma ideia: de que estão cobertos de razão, de que a humanidade pode respirar aliviada e de que agora estamos livres do mal, já que o mal estava condensado em uma pessoa. Mas isso é uma ilusão de ótica. É como os mágicos fazem: você olha para o outro lado, não presta atenção na prestidigitação que ele está fazendo com as mãos. Não podemos cair nesta história.
Isso não significa defender o que aconteceu em 11 de setembro de 2001, que foi um ato terrível e ofendeu a humanidade. Não significa negar o direito da população americana de buscar os culpados. Mas defender a forma como isso foi feito será dar aos Estados Unidos a possibilidade de amanhã entrar em qualquer uma de nossas casas e dizer: ‘olha, imaginei que aqui houvesse um terrorista e andei metralhando’. É muito grave o que aconteceu. Ou seja, não há motivo para comemoração.
Fonte: Uol

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Jogador da NBA ataca americanos por comemorarem morte de Bin Laden

Nesta madrugada, o mundo inteiro recebeu uma notícia bombástica de que o terrorista Osama Bin Laden havia sido encontrado e morto pelo serviço secreto de seu país. Enquanto a maioria das pessoas demonstrava apoio as Estados Unidos, o ala do Milwaukee Bucks, Chris Douglas-Roberts, remou contra a maré e criticou os americanos que comemoravam a morte do terrorista.
Quando se aproximava o final do dia 1º de maio, começaram os rumores de que os Estados Unidos haviam conseguido capturar e matar Bin Laden. No entanto, a confirmação veio apenas após o anúncio oficial do presidente americano. No momento em que Obama afirmou que seu país havia matado o chefe do grupo terrorista Al-Qaeda, o país inteiro entrou em festa. De acordo com o presidente, a morte foi em uma mansão no Paquistão, depois de uma troca de tiros.
Alguns famosos mostraram seu apoio ao presidente, como o ala do Miami Heat e duas vezes MVP da NBA em seguida, LeBron James. “Uau! As palavras de Obama movem a Terra e são inspiradoras”, comentou, em sua página oficial do Twitter. O craque Ronaldo, recém-aposentado, se conteve em repassar uma mensagem de um jornal carioca, avisando da morte do terrorista.
No entanto, Douglas-Roberts não segurou suas palavras e atacou bastante o povo americano. “Isto é uma celebração?”, comentou o atleta em seu Twitter @cdouglasroberts, depois de todas as televisões mostrarem a multidão que estava na frente da Casa Branca, comemorando a morte. “Seria isto o início de uma grande guerra religiosa? Espero que não (balançando minha cabeça)”, continuou.
Em seguida, sendo vítima de muitas críticas e atacado por muitos seguidores, o jogador desabafou. “Eu sou o idiota? Você é cristão. Deus ficaria feliz com você comemorando a morte?”, questionou, ao ser insultado. “Foram necessárias 919.967 mortes para matar este cara. Foram necessários dez anos e duas guerras para matar este cara. Nos custou aproximadamente R$ 1,9 trilhões para matar este cara. Mas estamos vencendo (sarcasmo)”, continuou.
Muito criticado, o jogador continuou dando sua opinião pelo microblog, afirmando ser contra “uma guerra de dez anos” e, principalmente, a “morte de inocentes diariamente”. Após algum tempo, ele se mostrou firme com sua opinião. “Só estou dizendo o que eu sinto. Para todos me apoiando, estou bem. Eu tenho uma pele muito grossa. O que eu sinto não mudou nem um pouco. De qualquer maneira, que Deus abençoe a América”, finalizou.

A morte de Osam Bin Laden

Por Hermes C. Fernandes

"Acabo de assistir ao pronunciamento do presidente Barack Obama, transmitido pela CNN, afirmando que Osama Bin Laden, líder da organização terrorista Al-Qaeda, está morto.

De acordo com o presidente norte-americano, após ter recebido informações precisas da inteligência americana sobre a localizaçao do terrorista na semana passada, deu ordem de atacar, e neste domingo, um pequeno grupo de soldados conduziu a operação, que resultou na morte de Bin Laden após uma troca de tiros.

Procurado há pelo menos dez anos pelos EUA, Bin Laden é considerado o mentor intelectual dos atentados de 11 de Setembro de 2001, que derrubou as Torres Gêmeas em Nova York e deixou cerca de 3.000 mortos, e de ataques a alvos norte-americanos na África e no Oriente Médio na década de 1990.

Obama declarou em seu pronunciamento: "Esta noite, os Estados Unidos lançaram uma mensagem inequívoca: não importa quanto tempo leve, a justiça será feita".
Bin Laden nasceu na Arábia Saudita em 1957, em uma família de mais de 50 irmãos. Ele era filho do magnata da construção Mohamed bin Laden. Seu primeiro casamento foi com uma prima síria aos 17 anos. Acredita-se que ele tenha tido 23 filhos com ao menos cinco esposas. Financiado pelos Estados Unidos, ele lutou ao lado de rebeldes contra tropas soviéticas no Afeganistão nos anos 80, o que acabou levando à criação da Al-Qaeda.
A morte de Bin Laden será celebrada no mundo inteiro, assim como foi a morte de Sadam Hussein. Receio, porém, que a mesma sirva como combustível para um avivamento da causa por ele defendida, motivando uma nova onda de terrorismo no mundo. Para muitos, o maior vilão da história recente. Mas para tantos outros, um ícone de resistência ao imperialismo americano.  Para estes, Bin Laden será reconhecido como um mártir, e portanto, exemplo a ser seguido por esta e pelas próximas gerações de terroristas.
Sem dúvida, sua morte será tida como um grande feito pela maioria dos americanos, e poderá incrementar a popularidade de Obama que anda em baixa, fazendo decolar sua campanha pela reeleição. Aliás, Obama fez muito bem ao afirmar que a guerra travada pelos EUA não é contra o Islã, e sim, contra o terrorismo, que faz vítimas, inclusive, entre os muçulmanos.
Mas será que há realmente motivo para celebrar? Ou será que haveria motivos para lamentar? Não digo que devemos lamentar a morte de Bin Laden, e sim o que ela poderá provocar no mundo.
O Departamento de Estados dos EUA emitiu uma advertência a todos os cidadãos americanos espalhados pelo mundo, para que limitem os movimentos fora de suas casas ou hotéis, e evitem multidões ou protestos, pois haveria um risco maior de violência contra americanos a partir do anúncio da morte do líder da Al-Qaeda.
Oremos pela América. Oremos pelo mundo árabe e muçulmano. Oremos por nossa civilização!"