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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Tem pouca hora no meu dia

"Tempo, tempo mano velho, falta um tanto
ainda eu sei. Pra você correr macio.
Hoje estava organizando o quadro de horário das minhas filhas, e ao terminar pensei... "Eh... até que foi fácil". Como é fácil gerenciarmos o tempo dos outros, mas quando o assunto é conosco, a situação fica mais complicada. É fácil exigir de minhas filhas que cumpram os horários, mesmo que às vezes eu tenha que dar uns "esporros" na hora de dormir, ou de tomar banho. Mas enquanto ao meu horário? Você também sente que falta hora no seu dia? Sente que precisaria de um dia com mais umas seis horas pelo menos? Não se desespere você não é o único. E não, o tempo não está passando mais rápido ultimamente, é a nossa noção de tempo que muda de acordo com a idade, e os afazeres. Um domingo de trabalho e um domingo na praia não vão parecer ter as mesmas 24 horas.
A primeira coisa pra tentar botar ordem nas coisas é antes botar a cabeça em ordem, montar um planejamento de acordo com as prioridades. E cuidado para não cair na armadilha da internet ela é uma verdadeira máquina suga tempo, seus minutos no msn, twitter, orkut, facebook, email ou até em sites de jogos podem se tornar horas e seu dia "vai pro saco".

A partir do planejamento pronto é importante ter foco e disciplina para mantê-lo. Pense no que vai e no que não vai fazer. Evite o planejamento em excesso. Faça como o Jack estripador vá por partes (essa eu devo a Bárbara).
Mas acima de tudo tenha qualidade de vida. Cresci em uma cidade pequena, morei em uma cidade grande depois de adulta por quatro anos, hoje voltei para a cidade pequena, não porque queria, mas faço de tudo para não ter que sair daqui. Ir de casa ao centro da cidade à pé, não depender de condução para tudo, não pegar congestionamento, não se preocupar (só um pouquinho) com as portas, as janelas e a bolsa a tiracolo. Deixar as crianças brincar até tarde de pique na rua em uma noite quente.
Sei que de tudo dito até aqui algumas coisas ainda não consigo fazer, por mais que me esforce, confesso que o pecado capital que mais me persegue é a preguiça. Mas se eu quiser mudar a minha vida e as coisas a minha volta só posso começar por mim mesma.
"Quando eu mudo tudo muda!"

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Esperando que o tempo mude

Os discos
As danças
Os riscos da juventude
A cara limpa
A roupa suja
Esperando que o tempo mude

"Eu, como praticamente todo mundo, acompanhei a polêmica das mensagens de preconceito e xenofobia espalhadas no twitter após a divulgação do resultado das eleições presidenciais, por uma galerinha de vinte e poucos que, imagino, deve ter titica ou coisa que o valha em lugar de massa cinzenta. Acompanhei as discussões do acontecido pela blogosfera e os posts indignados, surpresos. Eu preciso dizer, não me surpreendi. Mais do mesmo, do vazio ideológico que a gente já sabe, já falei disso aqui, aqui e aqui, pra ficar só nas referências mais óbvias.
Mas entristecer, a gente sempre se entristece. Entristece de ver uma juventude tão emburrecida, tão mesquinha, tão individualista, que se acha o umbigo do mundo e nem ao menos sente um tantinho de vergonha, daquela que fazia corar os nossos avós, ao sair por aí cuspindo pequenezas e preconceitos, repetindo feito disco riscado os raciocínios racistas e tacanhos que lhes enfiaram na cabeça. Entristece de ver tanta miséria de alma, tanta avareza de sentimento, tanto egoísmo desenfreado, tanta imaturidade e feiúra. Entristece de ver essa gente jovem de idade mas velha, tão velha de alma, de coração enrugado e áspero, a perpetuar a espiral da violência, da agressão, do desrespeito. Entristece, porque é como dizia a canção: ser jovem deveria ser ter ‘a cara limpa e a roupa suja esperando que o tempo mude’, ao invés de um punhado de preconceitos burros – e existe preconceito inteligente? – e do celular de última geração enfiado no bolso de trás do jeans de marca, desbotado pela ditadura da moda. Entristece, porque quando se tem vinte e poucos, é tempo de se ver o mundo com idealismo e esperança, ao invés de cinismo e arrogância.  Entristece, porque o futuro se faz com gente, e a gente do futuro é essa que está aí, vendo o mundo de um jeito tão desdenhoso, ignorante, achando graça em diminuir o outro, em cultivar ilusões de superioridade e fazer piada do que deveria ser caso de polícia. Entristece, porque eu quero um mundo diferente pras minhas filhas, eu quero que elas pensem diferente. Não que pensem igual a mim, mas que pensem. Que tenham humanidade, respeito ao próximo, solidariedade, que tenham ideais, que acreditem em alguma coisa além do dinheirinho no banco, da balada do fim de semana e do carrinho zero na garagem. Deveria ser o básico, mas em tempos como esses, acaba sendo artigo de luxo. Enfim, entristece. E eu tô assim, meio triste, cabisbaixa e tateando no escuro para reencontrar minha esperança. Mas deixe estar, que eu reencontro. Porque eu posso não ter mais vinte e poucos, mas o coração que bate aqui dentro do peito é jovem, idealista e solidário, sempre. E isso é pra vida toda."

Texto de Renata Penna